Branquitude Nacional em Pacto no Congresso — Entrevista com Vic Martis


Capa em tom dourado do episódio "Branquitude & Congresso" do podcast Giro dos Povos e Comunidades Tradicionais. No título dos créditos: "Kito Kiese entrevista Vic Martins". Colagem central com o plenário da Câmara dos Deputados visto de cima, uma coluna clássica grega, um mapa antigo estilizado de Agarta, um boi branco de porte robusto e fotos em preto e branco de duas pessoas negras vestidas com roupas do início do século XX. No topo, os perfis @girodospovos, @kitokiese e @io_said. Na base, o título "Branquitude & Congresso" em letras grandes brancas.

Nas primeiras páginas de O Pacto da Branquitude, a psicóloga e pesquisadora Cida Bento faz questão de nos avisar: esses pactos não nascem em esconderijos, não têm ritual, não precisam de capuz nem de senha sussurrada na calada da noite. Nascem de algo bem menos cinematográfico: o silêncio. Um silêncio repetido, geração após geração, por pessoas que nunca precisaram dizer nada em voz alta para estar na melhor condição.

É quase um alívio esse aviso. Afasta os caçadores de conspiração, aqueles que preferem um vilão de capa a um sistema complexo. Mas os números ainda incomodam.

Pretos, pardos e indígenas somam mais de 56% do Brasil. E no Congresso eleito em 2022, essa maioria vira minoria: quase 3 em cada 4 parlamentares não são brancos. Entre os 513 deputados federais, só 5 se autodeclaram indígenas — o maior número da história do país. Ainda assim, quase nada.

Esses números perseguem, ficam ali atrás da nuca. É um incômodo, porque... e se o Pacto da Branquitude não precisasse de sexta-feira 13, nem de túnica, nem de lua cheia? E se ele acontecesse todo dia, de sol a sol? Por pessoas que têm motorista esperando num sedã com placa oficial, numa escala de trabalho 3x4. E se o verdadeiro pacto é, na verdade, feito à luz do dia, no meio do Congresso Nacional?

Selfie de Vic Martins, uma pessoa jovem, não binária, branca de pele clara, sorrindo bastante, com cabelo curto e escuro em corte mullet e óculos de armação redonda castanho-escura. Veste camisa social branca. Ao fundo, a fachada do Historiska Museet, em Estocolmo, com uma escadaria e as palavras "Historiska" visíveis (parcialmente refletidas/espelhadas na foto), em dia ensolarado com galhos de árvore no topo da imagem.

Doutoranda em Direito pelo PPGD/UnB, na linha de Criminologia, Estudos Étnico-Raciais e de Gênero, e mestra em Direito pelo mesmo programa. Bacharel em Direito pela UFPB. Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Cultura Jurídica e Atlântico Negro (Maré/UnB) e de outros grupos de pesquisa em direitos humanos, raça, gênero e decolonialidade. Integra as equipes editoriais das revistas Direitos Humanos e Transdisciplinaridade (UFPB) e Latino-Americana de Criminologia (UnB). Autor do livro CPI do MST: Criminalização dos Movimentos Sociais na Democracia, publicado em 2026 pela editora Dialética. Pesquisa branquitude, criminologia, racismo, segurança pública, parlamento e relações raciais.


Fomos atrás dessas respostas e passamos uma tarde inteira conversando com Vic Martins, doutoranda em Direito pela UnB, pesquisadora de branquitude, criminologia e relações raciais, e autora do livro CPI do MST: Criminalização dos Movimentos Sociais na Democracia.


Pesquisa e texto: Kito Kiese — @kitokiese Produção de áudio: Said @io_said

Sobre a convidada: Vic Martins é doutoranda em Direito pela Universidade de Brasília e graduada em Direito pela Universidade Federal da Paraíba. É pesquisadora vinculada ao Grupo de Estudos de Cultura Jurídica e Atlântico Negro – Maré. @victormat1ns

Livro CPI do MST: Criminalização dos Movimentos Sociais na Democracia, publicado pela Editora Dialética em 2026 — @cpidomst_livro




Fontes dos dados:


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