Solitária
§ Leitura com Gatilhos para Pessoas Sensíveis
Nojo: O estômago mede três centímetros a menos. Tenho certeza. Passa a fita métrica toda manhã. Os arrotos vêm exatos: quinze minutos pós-refeição. Não são gases intestinais, a comida ainda está no estômago, batendo contra algo, refluindo antes de descer. O esfíncter pilórico bloqueado ou ocupado. Algo obstrui a passagem.
Durante anos, a hemoglobina caiu. 9 g/dL, depois 8. Fadiga crônica, déficit cognitivo. Alguém bebia meu ferro pelo epitélio intestinal. Ancylostoma duodenale consome 0,2 mL de sangue por dia. Dez vermes: 2 mL diários. Setenta e três litros por ano. Talvez ele tenha ovos.
Agora as fezes mudam de consistência. Tipo 4 na Escala de Bristol, textura normal, cilíndrica. O trânsito intestinal se normaliza. A energia volta em picos: mitocôndrias recebendo oxigênio novamente, ATP sendo sintetizado sem interrupção parasitária. O verme atingiu minha mente sem conexões e meu corpo sem ânimo. Pensarei algo antes dele chegar lá.
Comecei a ingerir: eugenol do cravo (ação ovicida), alicina do alho (vermífuga), gingerol (anti-helmíntico). Compostos fenólicos destroem membranas celulares de nematoides. Alimentos fermentados restauram microbiota. Lactobacillus competindo por espaço com larvas residuais.
Mas o peso sobe. O apetite não aumenta.
Contradição: parasitas intestinais causam anorexia e perda ponderal por má absorção. Se houvesse vermes morrendo, deveria haver diarreia, fragmentos nas fezes, cólicas pela inflamação da mucosa.
Nada disso.
6 de nov. de 2025